Floresta de umbu no Sertão: Serra do Giz, em Afogados da Ingazeira, ganhará o plantio de 700 mudas

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A Serra do Giz, em Afogados da Ingazeira, no Sertão pernambucano, ganhará o plantio de 700 mudas de umbuzeiro. A entrega das plantas acontece amanhã e sexta-feira (24) durante um evento pedagógico e científico na Estação Experimental do Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) e no Serviço de Tecnologia Alternativa (Serta), ambos em Ibimirim, também no Sertão do Estado. A iniciativa é fruto do primeiro ano do projeto Ecolume, coordenado pela meteorologista Francis Lacerda, pesquisadora do IPA e coordenadora do projeto. “Umbu não é só pra fazer umbuzada ou doce da raiz. É uma planta nativa do semiárido do Nordeste, resistente a longos períodos de seca e que tem um alto potencial bioeconômico. Além das propriedades nutricionais, ainda tem as farmacológicas, pois é rica em vitaminas e um poderoso antioxidante”, explicou Francis Lacerda, que conta com parceria de outros dois estudiosos: Márcia Vanusa, docente da UFPE, e Antônio Carlos de Melo, gerente da Estação Experimental do IPA em Ibimirim. O projeto Ecolume é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que investiu R$ 420 mil para três anos de pesquisas. A primeira etapa do projeto focou o plantio de mil mudas, as mesmas que agora estão sendo entregues ao município de Afogados da Ingazeira. Outras 300 mudas serão destinadas ao agricultores familiares de Ibimirim que participarem do evento desta quinta e sexta-feira. Além da doação das plantas, os pesquisadores ensinarão agricultores e gestores municipais a criar novas mudas, fazer o plantio adequadamente e aproveitar todas as partes dos umbuzeiros, gerando um novo arranjo produtivo para o povo sertanejo. “Identificamos que o umbuzeiro é uma espécie que pode ser extinta em 20 anos. Então, a proposta é fazer o reflorestamento dessa planta e ensinar o povo da caatinga a explorar o potencial econômico do umbu. Já existem cidades no Sertão da Bahia que fazem isso muito bem”, ressaltou a pesquisadora do IPA. A escolha pela Serra do Giz para receber as 700 mudas se deu a partir do acolhimento recebido pelo projeto por parte do governo municipal. A data do plantio ainda não foi estabelecida. “Apoiamos esta iniciativa por fortalecer a caatinga e valorizar o semiárido, com a multiplicação do umbuzeiro, uma planta típica e histórica do nosso bioma”, comentou o prefeito de Afogados da Ingazeira, José Patriota. CASO DE SUCESSO Secularmente, casca, folha e fruto do umbuzeiro são usados por comunidades quilombolas e indígenas na alimentação e como remédio. Segundo a estudiosa e integrante do Ecolume, Márcia Vanusa, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc) é um dos exemplos de como a planta pode ser explorada economicamente. “O cultivo da planta nestas três cidades baianas beneficia a criação de novos produtos. Além de geleias, doces e outros alimentos, fabricam até cerveja e exportam para o mundo”, ressalta Vanusa. “Estamos no primeiro passo, que é preservar, replantar e entender o poder do umbu. Depois podemos dar os próximos passos nessa cadeia produtiva. O umbu é altamente simbólico, pois tem a resistência do povo sertanejo”, comentou Francis Lacerda. Citada como exemplo de sucesso, a Coopercuc foi criada em 2004 e hoje é formada por 271 cooperados, em sua maioria mulheres, que produzem doces e geleias à base de frutas nativas do Sertão, sendo o umbu o carro-chefe. Através da linha Gravetero, a cooperativa comercializa seus produtos nos mercados mais sofisticados do Brasil e exporta para Itália, França e Áustria. A cooperativa tem uma capacidade de produção consolidada em 200 toneladas de doces por ano. MAIS MUDAS Durante o evento desta quinta e sexta-feira, o Ecolume deverá anunciar a criação de mais 1.500 mudas de umbu. O desenvolvimento das mudas será no IPA de Ibimirim. “Quando a maior parte das sementes germinarem e se tornarem mudas, vamos estimular o reflorestamento da espécie em outros locais, para que se tornem arranjos produtivos bioeconômicos a partir dessa planta”, disse Francis Lacerda.

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