Número de endividados em PE é o maior desde setembro de 2015

Em junho, este percentual atingiu os 75,2%, subindo 1,2 pontos em relação a maio (74,%). (Foto: Arquivo / Agência Brasil)

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Um número preocupante, mas esperado. De acordo com a mais recente Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) de Pernambuco, o quantitativo de famílias endividadas cresce pelo segundo mês consecutivo no estado, apontando para a mesma direção do movimento nacional. Em junho, este percentual atingiu os 75,2%, subindo 1,2 pontos em relação a maio (74,%). Trata-se da maior taxa desde setembro de 2015, quando o resultado atingiu os 75,5%. Para os meses de junho, é o maior valor desde a criação da pesquisa, iniciada em 2010. No Brasil, estes números ficaram em 66,5% (maio) e 67,1 (junho).
Um dos motores do endividamento nestes últimos meses foi a ampliação do consumo pela internet durante o período de isolamento social, já que ficou mais difícil comprar pela maneira presencial. O economista da Fecomércio, Rafael Ramos, explica que até quem tinha opção de pagar à vista, por meio de boletos, passou a optar pelo cartão de crédito. “Boletos demoram cerca de três dias compensar e as pessoas tinham pressa de consumir devido ao maior nível de ansiedade por não poder sair de casa. Há pesquisas que apontam que em abril, por exemplo, o consumo por meio de e-commerce aumentou em até 81%. Número que provavelmente se repetiu nos meses posteriores de quarentena integral”, explica. 
Sobre os tipos de dívidas, as do cartão de crédito lideram o ranking (92,2%) seguida de carnês (16,5%) e outras dívidas (8,8%). A maioria das famílias endividadas informam também que as dívidas comprometem entre 11% e 50% da renda. Um fato que, segundo Rafael, diz respeito à falta de educação financeira de qualidade de boa parte da população. “As pessoas utilizam o cartão de crédito como extensão de renda, comprometendo mais do que 30% da renda familiar, o que não é saudável”, afirma. 
Em números, há os endividados que contraíram dívidas, mas que estão como pagamento em dia, os que estão com alguns dias em atraso e os que não possuem condições de saná-las, os inadimplentes. O percentual de 75,2% equivale a 386.509 famílias endividadas, uma alta de 6.304 lares em um mês. Em relação ao mesmo período de 2019 houve um aumento de 30.953. As que possuem contas em atraso atingiram os 31,4%, alta em relação a abril. Atualmente, no estado, 161.408 famílias estão nesta situação. Já as inadimplentes configuram 14,5%, o que corresponde a 74.321 mil famílias em dívida. Diferente dos dois primeiros, este grupo apresentou queda em relação ao mês anterior, com redução mensal de 7.044. A probabilidade, neste caso, é que muitos dos demitidos no período tenham utilizado os recursos das indenizações trabalhistas para abater parte das dívidas ou negociá-las. Já na comparação anual, houve acréscimo de 14.179 lares. 
Mesmo com o fim da pandemia, a conjuntura para o futuro ainda é considerada difícil. Um novo momento que virá com parte da população desempregada, endividada, o que trará lentidão na recuperação de setores ligadas a confiança das famílias, como comércio e serviços. Consequentemente, haverá atraso de investimentos e geração de empregos formais e informais, assim como a capacidade de pagamento das dívidas e da manutenção do consumo. Ainda de acordo com o economista, um momento de lenta recuperação. “Mesmo com o fim do isolamento total, as pessoas ainda estarão com comportamento conservador em direção ao consumo direcionando para a essencialidade. Os negócios, então, devem ter entre seis meses e 1 ano para voltar ao faturamento pré-pandemia. Isto se não contarmos os choques negativos, como o que aconteceram no passado como greve de caminhoneiros, crise comercial entre China e Estados Unidos. As famílias, por sua vez, só devem se recuperar quando o setor produtivo voltar a investir. Só assim, haverá a geração de emprego e elas voltam a ter renda para consumir de maneira natural. Ou seja, mesmo depois da pandemia, ainda haverá uma taxa de desemprego elevadíssima em Pernambuco”, explica.
• Tipos de dívidas:
Cartão de crédito – 92,2% 
Carnês – 16,5%
Outras dívidas – 8,8%
Cheque especial – 5,5%
Financiamento da casa – 4,7%
Crédito Pessoal – 4,5%
Crédito consignado – 2,8%
Não sabe – 0,9%
Cheque pré-datado – 0,8%
• Dicas para uso do cartão de crédito:
- Quem tem uma renda de R$ 2 mil e um limite de crédito de R$ 2 mil não pode entender este limite como extensão de renda.
- Evitar possuir mais de um cartão de crédito
- Limitar soma das parcelas em, no máximo, 30% no máximo da renda.
- Só utilizar o cartão se não houver como pagar à vista e se o preço parcelado corresponder ao mesmo valor da compra na hora.
- Não emprestar o cartão de crédito. É um alto risco. 
 - Ao adquirir o cartão, escolher aqueles com as menores anuidades possíveis ou zeradas.
Fonte: Fecomercio

Por: Patrícia Monteiro

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