Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica de olho nos asteroides e cometas

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Durante 15 noites por mês, na fase de lua nova, o Observatório Astronômico do Sertão de Itaparica (Oasi) volta às lentes de seu telescópio para observar grandes rochas localizadas no cinturão de asteroides entre os planetas de Marte e Júpiter a cinco unidades astronômicas da Terra (uma unidade astronômica representa a distância entre o nosso planeta e o Sol). É o projeto Impacton, iniciativa colocada em prática no Sertão em 2011 e que integra o Brasil aos programas internacionais de busca e seguimento de asteroides e cometas em risco de colisão com a Terra. Antes da iniciativa, apenas a Austrália possuía equipamentos deste tipo para vigiar o céu do hemisfério sul. Operado remotamente do Rio de Janeiro, o equipamento já ajudou os pesquisadores brasileiros a fazer a caracterização completa (composição, órbita, rotação) de seis asteroides que têm o potencial de se aproximar do planeta. “Há a possibilidade desses corpos relativamente grandes colidirem com a Terra e poderiam causar uma catástrofe, inclusive colocando fim à humanidade. Nós achamos que conhecemos todos eles, mas não são apenas esses que são perigosos. Em 2013 caiu um bólide de 20 metros na Rússia, que explodiu a 8 quilômetros de altura e causou muito estrago”, lembra Daniela Lazzaro, astrofísica do Observatório Nacional. Ela explica que o objetivo do observatório do Sertão não é descobrir asteroides, mas estudar os já conhecidos. Daniela diz que a caracterização desses objetos ajuda a identificar a trajetória e possíveis locais de colisão. Com isso são desenvolvidos estudos para que possam ser feitas possíveis alterações de rotas ou mesmo sua possível destruição. “Temos que conhecer o inimigo”, resume a pesquisadora Terezinha Rodrigues. As observações feitas em Itacuruba são publicadas no Mine Planet Bulletin, da União Astronômica Internacional, o repositório de todos os dados coletados no mundo desses objetos. A história do observatório de Itacuruba começou em 2005, quando o Observatório Nacional lançou uma chamada pública junto ao Finep para a sua construção. Um projeto de R$ 1 milhão, que ficou pronto seis anos depois com equipamentos comprados na Austrália, Rússia, Alemanha e Estados Unidos.

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